Pois é, uma vez por semana, dizia eu... Desculpem lá, mas a semana passada não foi grande coisa. Entre trabalhos (a sério, nunca, mas mesmo nunca se disponham a trabalhar com gajas, eu incluída :P) e maleitas menores de saúde, foi uma semana chata. Por outro lado, o Mestre passou toda a semana em alta, no que toca à libido (e eu, nem é preciso dizer-se, também), mas foi mais fazermos amor "sem acréscimos" que brincarmos propriamente dito. Ontem, no entanto...
Primeiro deixem-me dizer-vos isto acerca da nossa cozinha: entre a cozinha e a marquise não há exactamente uma parede, há antes duas secções de parede com um espaço entre elas, sem porta, e com uma viga no topo. Até é bonito, é como se houvesse ali um portículo ou assim. E a viga robusta tem uma data de aplicações.
Onte ao fim da tarde, aí pelas seis horas, o Mestre chegou a casa. Quando o fui receber, ele abraçou-me e depois de nos beijarmos continuou a dar-me beijinhos na cara e a roçar o nariz no meu.
"Tanta meiguice..." Comentei eu.
"Isso muda-se." Disse o Mestre, entre um beijinho e uma carícia. "Queres?"
"Quero." Não é que eu ande à fome, mas já não dizia que não ao toque da corda...
"Está bem, então." Disse o Mestre. "Vai buscar uma toalha de banho e vem ter comigo."
"Ao quarto?" Perguntei eu, a pensar para que seria a toalha.
"Não. À cozinha." Disse o Mestre, e foi ao quarto sem mais explicações.
Confesso que fiquei baralhada. Ainda pensei que o mestre se estivesse a referir a fazer sexo na mesa da cozinha, que, parecendo que não, foi, durante uma data de tempo, uma figura obrigatória da malandrice. Mas a nossa mesa da cozinha já não é nova e não parece lá muito segura para isso. Ainda pensei que o Mestre quisesse fazer amor no chão da cozinha, mas, para isso, havia de me ter mandado ir buscar um cobertor. Mesmo assim, não me ralei mais com o assunto e fui buscar a toalha.
O Mestre demorou-se mais tempo no quarto que eu a pegar na toalha, de maneira que ainda tive tempo de me sentar, com a toalha dobrada no colo, ainda a especular sobre o que iria na cabeça do Mestre. Quando ele chegou, com uma braçada de coisas para brincarmos, levantei-me.
"Estende aí a toalha debaixo da viga." Disse-me o Mestre, ainda casualmente, sem afirmar o poder erótico que sabe exercer sobre mim.
Fiz conforme me mandou enquanto ele pousava o que trazia na mesa.
"Agora" Assim que ele falou senti a mudança na voz dele. Estava mais grave e mais assertiva. Senti que vinha aí uma ordem a sério. "fica debaixo da viga e despe-te."
A voz do Mestre parecia ter um silvo ou um síbilo de autoridade e erotismo por debaixo da graveza poderosa com que ele me dá ordens. Um arrepio percorreu-me a espinha e eu obedeci sem hesitar. Descalcei logo os chinelos antes mesmo de pisar a toalha. Despi a T-shirt rapidamente. Ia a atirá-la para o lado, mas o Mestre estendeu um bocadinho a mão.
"Dá cá." Ordenou-me.
Ele não estava sequer perto da borda da toalha, e eu já estava descalça. Obrigar-me a pisar os ladrilhos frios do chão da cozinha descalça é um daqueles sofrimentos que mais bem ilustram o apelo da chamada "dor erótica": não é a dor que me excita (quer dizer, às vezes até é), é mais a troca de poder que ela demonstra. Aqui passa-se o mesmo: se não fosse o poder que o Mestre exerce sobre mim, eu não teria enregeldo os meus pezinhos só para lhe dar a T-shirt.
Voltei cheia de frio para cima da toalha e tirei as cuecas. O Mestre voltou a estender a mão. Em vez de voltar a atravessar a cozinha, atirei-lhe com as cuecas. Ele agarrou-as no ar sem esforço, foram bem atiradas, mas, com a mesma mão com que as agarrou, apontou-me um dedo e lançou-me um olhar, como que a dizer, "essa, vais pagá-la." Não consegui conter uma risadinha de antecipação.
Só tive pena de não estar a usar mais roupa para pdoer continuar a despir-me para o Mestre. Ele, que, entretanto, tinha-se descalsado e tirado a camisa, veio ter comigo.
"Vira-te." Ordenou-me. "Mãos atrás das costas." Nem que quisesse lhe desobedeceria.
O Mestre pegou no meu cabelo e afastou-mo das costas, drapejando-o por cima de um ombro. Depois tocou-me nos ombros e nos braços e mordiscou-me a orelha. Aproveitei enquanto tinha as mãos mais ou menos livres para o acariciar às cegas. Depois pegou numa corda e amarrou-me os braços dobrados atrás das costas num arnês para o peito simples. Terminou o arnês com um puxão que cravou as cordas na minha pele e me fez suspirar de deleite. Quase que já sentia os dedos dele nas minhas mamas. Lambi os lábios de desejo. O Mestre lançou as pontas do que restava da corda (e era uma corda grande) por cima da viga e puxou até eu ter de ficar em pontas de pés, e mesmo assim as cordas enterravam-se na minha pele como se me quisessem morder. Ele atou a corda para não ter de estar sempre a puxar, e mesmo assim sobravam pontas compridas (era uma corda mesmo grande).
"Levanta uma perna." Ordenou-me outra vez.
Por um lado, com os braços amarrados, manter o equilíbrio num só pé é mais complicado. Por outro, mesmo que me desequilibrasse, não havia de cair, mas as cordas iam deixar marca. Levantei a perna esquerda à frente. Aida atrás de mim, o Mestre agarrou-me a coxa e puxou-a ainda mais para cima e para o fora, a abrir-me a perna (na verdade, as pernas, que, com uma perna no ar e a outra no chão, não estão exactamente fechadas). Passou a corda em redor do meio da minha coxa e amarrou-a firmemente nessa posição. Finalmente acabou-se a infindável corda LOL.
Depois o Mestre pegou noutra corda (como se uma daquele tamanho não chegasse...) e atou-me o tornozelo e o pé que tinha no ar. Depois lançou as pontas por cima da viga e prendeu-as à atadura no pé, fixando-o ao nível do joelho que também tinha levantado. A esta parte devo dizer que ando há meses com vontade de ser pendurada, mas o Mestre ainda não se sente confiante com o que sabe de corda para me amarrar em suspensão total. De qualquer forma, para esta suspensão parcial sabe que chegue.
"Bom, já deve bastar." Comentou o Mestre, acerca do próprio trabalho. "Agora, por onde vamos começar..." Disse, enigmaticamente.
Eu estava de costas para a mesa, e não vi em que é que ele ia pegar primeiro. Ouvi um tilintar que não podia senão ser da fivela de um cinto e lembrei-me do que tinha feito com as cuecas. Realmente, "ia pagá-las". O Mestre acariciou as minhas costas abaixo das minhas mãos em direcção às minhas nádegas. Por mais agradável que o toque tenha sido, senti a minha pele a arrepiar-se à espera do cinto.
A primeira chicotada apanhou-me (ou antes, apanhei-a) um bocado de surpresa, e apesar de não ter sido muito forte, fez a perna que tinha apoiada no chão ficar hirta, mas como o meu corpo se sacudiu todo de choque, perdi o equilíbrio e tive de saltitar um bocado para o recuperar. A segunda foi mais forte e arrancou-me um gemido de dor, apesar de eu estar a tentar conter-me. A terceira foi ainda pior. Não sei quantas foram, talvez mais que uma dúzia. Só sei que no fim já tinha os olhos marejados de lágrimas e o rabinho a arder, mas, se não estivesse a gostar, tínhamos parado.
"Penso que, desta parte, estamos despachados." Disse o Mestre, enquanto acariciava as minhas nádegas.
O Mestre deu a volta e pôs-se à minha frente. Olhou-me por uns instantes com um sorriso nos lábios, a admirar a minha nudez. Acariciou-me a cara e o peito, depois os flancos do corpo e, de repente, puxou-me contra si. Suspirei de antecipação, e também porque sentir-me assim incapaz de lhe resistir, sentir-me manipulada como uma marioneta de carne nas mãos dele me excita. Ele aproximou os lábios dos meus e convenci-me de que me ia beijar, mas depois, no último instante, afastou-se e deixou-me a implorar por um beijo. Em vez disso acaricou a minha barriga com as potas dos dedos, depois a minha anca e percorreu a parte de dentro da perna que me tinha pendurado. Agarrou-me o tornozelo com firmeza e olhou-me nos olhos. O seu sorriso adquiriu uma propriedade deliciosamente maquiavélica.
"Não! Não! Isso não!" Implorei-lhe.
Impávido perante as minhas preces, ele atacou a planta do meu pé com as pontas dos dedos e fez-me contorcer com cócegas. Debati-me o mais que pude, o que, naturalmente, não era muito, ou antes, não era quase nada. Tinha as mãos atadas, só tinha uma perna para fugir, e, ainda que tivesse duas, estava amarrada à viga. Por várias vezes que, a contorcer-me, encolhi a perna que tinha apoiada no chão, o que fez o arnês no meu peito enterrar-se na minha carne. Quando o Mestre se fartou de me fazer cócegas, foi um aívio, mas não posso dizer que não tenha gostado. Depois tocou-me na barriga e pôs-se atrás de mim sem deixar de me tocar. uma vez atrás de mim, atacou os flancos do meu corpo com as pontas dos dedos. Quando eu já pensava que se tinham acabado as cócegas, afinal ainda havia mais. Não me fez cócegas durante tanto tempo, mas sentir-me contorcer nos seus braços e ouvir-me rir e gemer ao mesmo tempo deve tê-lo excitado, porque acabou esse sessão de cócegas a plantar-me beijos ardentes no pescoço e a acariciar-me as mamas com as mãos.
"Também trouxe um espanador de penas," Disse ele. "mas acho que não vamos precisar dele." Dei-me por feliz.
As mãos dele deasceram das minhas mamas pelo meu corpo abaixo até me tocarem entre as pernas. Senti os dedos dele a acariciarem-me devagar, mas com firmeza. Cada toque excitante fazia a minha respiração tornar-se mais profunda e mais ofegante até uma carícia me forçar a exclamar um gemido de prazer. O Mestre parou de me tocar lá em baixo, afastou-se e ouvi-o a desapertar as calças. Depois voltou a pôr-se diante de mim.
Com uma mão acaricou-me a cara, com a outra acariciou-me uma mama e tomou os meus lábios nos seus com uma sofreguidão apaixonada. Colou o seu corpo ao meu. Tocou a minha ratinha com a ponta do seu membro e pausou inquisitivamente. Se nada podia fazer para o impedir, menos ainda disse, mas implorei-lhe que continuasse com um sorriso e um olhar. Ele penetrou-me devagarinho. Fechei os olhos, inclinei a cabeça para trás e desfrutei daquela primeira investida vagarosa. No fim, suspirei, voltei a olhá-lo e afastei os lábios, a implorar por mais um beijo. Com um braço à volta do meu corpo e uma mão nas minhas nádegas, ele beijou-me enquanto me penetrava e arrancava gemidos excitados aos maus lábios, que abafava com os seus. Quando precisei de respirar pela boca, tal era a excitação, ele continuou a beijar-me o pescoço e os ombros. Não tardou muito até que sentisse o meu corpo sacudir-se de prazer e me viesse naquele equilíbrio precário que fazia o abraço do Mestre saber ainda melhor, porque me amparava.
Assim que me vim as cordas começaram a magoar-me, e já não falo de dor erótica, e pedi ao mestre que me libertasse. Ele desamarrou a minha perna e soltou-me da viga, mas não me desamarrou o arnês.
"De joelhos." Ordenou-me, a segurar na corda que pendia das minhas costas como uma trela. "Ainda não acabámos."
Estava cansada e um bocadinho dorida, mas ao menos as cordas já não me estavam a incomodar, e chupei-o com vontade. Ouvi-o vir-se e senti o jorro morno na minha língua. Ele deixou-me engolir e desamarrou-me os braços.
Cambaleámos juntos até à sala para nos enroscarmos no sofá até serem horas de jantar.
Espero que tenham gostado.
Beijinhos.
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