29 de março de 2008

O Homem da Pêra

Curioso como todos os dias passamos por dezenas de pessoas e raramente reparamos em alguém em particular. Às vezes lá passa alguém que nos desperta a atenção, mas esquecemo-nos logo. De há umas semanas para cá tem acontecido uma coisa mais estranha...

Há uma pessoa com quem me cruzo regularmente em Aveiro. Não o conheço e duvido que ele me conheça, nunca me falou, se calhar nem nunca reparou em mim. Eu reparei nele por causa da pêra que ele usa. No dia seguinte voltei a cruzar-me com ele, lembrei-me por causa da pêra e porque estava vestido da mesma maneira, todo de preto, se bem que a camisa fosse diferente. Desde então que o vejo muitas vezes, sempre de pêra, sempre de preto. Não sei quem é nem o que faz, mas lá que o vejo imensas vezes, vejo.

O Mestre acha piada quando, às vezes, chego a casa e lhe digo que voltei a ver o Homem da Pêra (na verdade, tenho andado a ver se descubro que nome lhe assenta bem, que chamá-lo Homem da Pêra, para além de ser um bocado comprido, não é grande nome), e sugere, a brincar, que, da próxima vez, o convide para vir comigo cá a casa, a ver se ele gostava de brincar connosco. É óptimo ter uma relação tão forte e tão estável com alguém que se possa fazer piadas destas. Claro que nunca faríamos tal coisa (e daí... nunca digas "desta água não beberei", mas, mesmo assim...), mas, ao menos, podemo-nos rir disso.

Bom, já chega desta conversa do Homem da Pêra. Vamos antes falar de brincadeiras perversas.

Ontem à tarde, aí por volta das seis, estávamos ambos em casa, eu decidi que já bastava do que estava a escrever para um trabalho. Ainda por cima é um trabalho que me traz irritada (não gosto da cadeira, não gosto do professor e não gosto do meu grupo. Só desgraças...), e precisava mesmo de descomprimir. O Mestre estava a entreter-se na net, ou a tentar, mas, a julgar pelo semblante dele, com pouco sucesso. Resolvi espreitar para o monitor dele.

"Já despachada?" Perguntou-me.

"Por hoje sim." Respondi. "E, se dependesse de mim, não voltava a pegar naquilo."

O Mestre sentou-me no colo dele.

"O que tu precisas é de descontrair." Disse ele, massajando-me os ombros, mas eu estava irritada e afastei-lhe as mãos. "Pronto, não te chateio mais."

"Não é isso." Disse eu, quase como um pedido de desculpas. "Preciso é de alguma coisa mais forte."

"Ah bom..." Disse o Mestre, voltando a pôr as mãos nos meus ombros. Depois, com um braço, agarrou o meu pescoço e, com a outra mão, agarrou o meu cabelo, e puxou-me para trás. "Assim?"

A princípio tentei agarrar-lhe o braço, depois desequilibrei-me um bocadinho. Acalmei-me por um momento.

"Sim, mais ou menos assim." Senti a irritação a começar a desaparecer.

"Então está bem." Disse o Mestre, enquanto me soltava. "Levanta-te lá e espera por mim no sofá que eu vou buscar os mais e os menos."

Já adivinhava em que categoria estariam "os mais e os menos". Ele não demorou a voltar com uma manta pequenina, só de pôr por cima dos joelhos, e três cordas enroladas, uma maior e duas mais pequenas. Pôs tudo em cima da otomana e sentou-se ao meu lado. Imediatamente começámos aos beijinhos e não demorou até que desse por mim só em cuecas, que também não tardei em despir. Já estava bastante excitada quando o mestre me mandou levantar e ficar de pé diante dele. Ele atou os meus joelhos um ao outro e levantou-se. Dobrou a manta várias vezes para fazer como que uma almofadinha e mandou-me ajoelhar nela (são estas pequenas atenciosidades que fazem do Mestre um grande dominante). Atou os meus tornozelos e mandou-me pôr as mãos atrás das costas. Fez-me um arnês para os braços e para o peito, bastante apertado, diga-se de passagem, mas não dolorosamente nem desconfortavelmente apertado. Quando lhe deu o puxão, no fim (adoro aquele puxão, que me faz sentir dominada e me põe a pele do peito toda mais sensível ao toque) fiquei completamente sem ar. O Mestre pôs-se de cócoras à minha frente.

"Estás bem?" Perguntou-me, ao ver-me recuperar o fôlego. Acenei que sim. Ele começou a tocar-me e a acariciar o meu corpo. "Sabes o que te vai acontecer? Para te ajudar a descontrair?" Voltei a acenar que sim. "Quais são as palavras de segurança?"

"Amarelo e Vermelho." Disse eu.

"Então está bem." Disse o Mestre, em jeito de conclusão.

O que vale é o Mestre conhecer-me tão bem. Se se deu ao trabalho de fazer estas verificações de segurança que, normalmente, na nossa relação, já estão implícitas, é porque sabe exactamente o que me fazer, o que eu queria que ele me fizesse. Eu precisava mesmo que ele abusasse de mim.

Claro que aqui digo "abusar" de forma leviana, mas é a melhor descrição (ou antes, categorização) do que se passou. É uma coisa muito mais violenta que o que fazemos normalmente, e é muito intenso, quer fisicamente, quer psicologicamente, e, quando é bem feito, deixa-nos ambos extremamente felizes.

O Mestre forçou-me a inclinar a cabeça para trás pelos cabelos e beijou-me. Largou-me com um saculão, levantou-se e desapertou as calças. Atar-me excita-o (grande tarado :P), e estava semi-erecto. Abocanhei o seu órgão e comecei a chupar, devagarinho, com volúpia. A princípio, o Mestre não fez mais nada por uns momentos, não sei se a entrar na personagem ou se só a desfrutar (se calhar até tenho algum jeito para o broche LOL), depois pôs a mão na minha cabeça. Senti quase uma descarga eléctrica a percorrer o meu corpo, da cabeça aos pés, quando ele me tocou. Já sabia o que aí vinha. Senti a sua mão fechar-se, a agarrar uma mão cheia do meu cabelo. Dei conta de que a minha respiração acelerava de antecipação. Depois senti, finalmente, o puxão. O Mestre forçou a minha cabeça contra o seu corpo, empurrou a sua verga pela minha boca adentro e ameaçou fazer-me engasgar por uns segundos. Depois tirou-se da minha boca, deixou-me ganhar fôlego (ou melhor, deixou-me inspirar, uma só vez) e voltou a forçar-se na minha boca, desta vez para me penetrar oralmente de maneira rápida a brutal. Com as cordas a apertarem-me o peito e o membro dele a ameaçar forçar-se pela minha garganta abaixo, era-me difícil respirar. Já estava um bocadinho aflita quando o Mestre se compadeceu de mim e voltou a tirar da minha boca.

Deixou-me respirar à vontade por uns segundos, mas, em contrapartida, mal saiu de mim, deu-me uma grande bofetada, que me apanhou de surpresa e me fez gemer, mais de choque que de dor. As bofetadas que se seguiram, mais fortes, na mesma bochecha e em rápida sucessão, essas já doeram mais. Tinha os olhos cerrados quando ele decidiu que estava na hora de violar a minha boca outra vez. Sempre a puxar-me os cabelos para guiar a minha cabeça, voltou a forçar-se entre os meus lábios e, desta vez, tentou chegar ao fundo da minha garganta. Ia-me fazendo engasgar muito antes de o ter metido todo na minha boca (também o Mestre é bem abonado :P), tirou, deu-me mais uma chapada e meteu outra vez. Repetiu o processo algumas vezes, indo sempre mais fundo de cada vez, até que senti a ponta do meu nariz a tocar-lhe na barriga. Então ele tirou, mas, em vez de me bater, puxou-me a cabeça para trás. Atada daquela maneira, fico forçada a manter uma posição muito direita, e o Mestre fez-me desequilibrar um pouco. Apalpou-me uma mama com força, fez doer, a cravar os dedos na minha carne, enquanto me insultava.

"Que bem que engoles caralho, sua putéfia barata!" Cuspiu-me, enquanto me beliscava e torcia um mamilo. "As outras putas da tua esquina são todas como tu ou tu chupas mais que elas?"

Não me deu tempo de responder, voltou a enfiar o pau na minha boca e forçou-me a chupa-lo depressa e com força, como de antes. Quando voltou a tirar, pôs a mão na minha garganta e estrangulou-me por uns segundos.

"Já estou farto da tua boca." Disse ele, enquanto eu sentia a pressão a acumular-se dentro da minha cabeça.

Deixou-me respirar, cheguei mesmo a tossir, quando ele tirou a mão do meu pescoço, e pegou nas cordas na parte de trás do arnês. Abanou-me um bocado até me deitar por cima da otomana, de barriga para baixo, com as pernas de fora. Começou por me açoitar as nádegas, com mais força que o que eu me lembro que algum dia me tenha açoitado. A minha consciência já tinha ido para aquele lugar especial na minha mente onde só existo eu e submissão, onde a dor se torna excitação e prazer e o resto a modos que não existe lá muito bem, ou, pelo menos, não é importante. Quando o Mestre se cansou de me bater, puxou-me os cabelos, fez-me dobrar para trás tanto quanto podia e penetrou-me. A posição era muito desconfortável, ainda me doía a cara, tinha o rabinho a arder, as lágrimas escorriam-me dos olhos e o caralho dele na minha cona sabia-me tão bem que parecia que queimava. Não sei se gemi baixinho ou se gritei alto, só sei que me vim algumas vezes, também não sei ao certo quantas, naquela altura eu já estava tão profundamente no meu mundo privado que não sabia bem o que estava a acontecer. A dada altura senti as ancas do Mestre a colidir violentamente com as minhas algumas vezes, depois a colarem-se às minhas, e, finalmente, o Mestre veio-se dentro de mim.

Durante uns segundos, enquanto eu voltava do meu mundo, o silêncio era ensurdecedor.

O Mestre deapertou o as cordas no meu peito e perguntou-me se estava tudo bem. Por algum motivo, não conseguia falar, mas acenei que sim. Ele acabou de me desatar e levou-me ao colo até ao sofá. Sentou-me, sentou-se ao meu lado e cobriu-nos com a manta que costumamos ter na sala. Eu abracei-o em silêncio e fiquei em silêncio uns segundos antes de começar a chorar. Depois de uma experiência daquelas estava muito emocionada (entenda-se com as emoções muito desequilibradas), mas, foram lágrimas de alegria. O Mestre abraçou-me e reconfortou-me até eu voltar ao normal.

"Então, mais descontraída?"

Eu ri-me, ainda a soluçar, e disse que sim.

Entendam duas coisas: primeiro, uma coisa destas não é para fracos; segundo, apesar de ser difícil aguentar a dor e o desconforto, às vezes, adorei cada momento. E também foi da maneira que não pensei mais no Homem da Pêra nesse dia. Tenho mesmo que decidir que nome lhe hei de dar.

Espero que tenham gostado.

Beijinhos.

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